APTIDÃO ECOLÓGICA DA CULTURA DA SORGO GRANÍFERO

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Aptidão climática para a cultura do sorgo granífero

O Sorgo (Sorghum vulgare Pers.) é uma planta tropical, que possui grande número de variedades adaptadas a diferentes zonas climáticas, inclusive às temperadas (frias), desde que possuam estação estival quente para permitir o desenvolvimento. É cultivada, praticamente em todo o mundo, onde as condições sejam demasiado secas ou quentes para a cultura do milho (Martin, 1941).

Exigentes climáticas

Nos Estados Unidos a presente cultura encontra as condições térmicas ótimas onde a temperatura do mês mais quente se situa entre 26 a 30ºC. Produções elevadas raramente são obtidas onde essas temperaturas não alcançam 24ºC. A planta pode sobreviver, em estufas, até temperaturas de 50 a 60ºC. É uma planta considerada bastante resistente à seca. Conforme observado por Slatyer (1955) em período bastante seco na Austrália, o sorgo, ao contrário de culturas como o Algodão e Amendoim, reduzia sua taxa de crescimento quando a deficiência se tornasse muito severa. Segundo o mesmo autor, tal resistência frente às condições de deficiência hídrica do solo pode ser explicada pelo sistema radicular mais desenvolvido que as duas outras plantas e pelo controle mais efetivo da transpiração.

No Estado de São Paulo, a cultura do sorgo, vai bem, não concorrendo com a do milho, quando esta é plantada em época adequada. O sorgo nos plantios atrasados da seca, vai bem melhor que o milho, também atrasado. Plantando-se mais adiantado, nas águas, o sorgo normalmente produz bem mais que na seca. O produto, na cultura das águas é, porém, freqüentemente prejudicado por excesso de umidade, chegando a haver germinação nas panículas. A cultura da seca se associa bem com a cultura do amendoim das águas. O plantio do sorgo da seca em seguida à do sorgo das águas é normalmente muito prejudicado pelo ataque da mosca.

Segundo informações técnicas, a principal vantagem do sorgo granífero é a de permitir a plantação da seca, como a cultura complementar, após uma cultura das água, como a do amendoim, do girassol, ou do arroz precoce. Nesse caso o sorgo seria plantado no período de janeiro a início de março. Tais informações citam ainda que, apesar de o sorgo ser muito resistente á seca, há dois períodos críticos em que a cultura exige umidade no solo. O primeiro é o que vai até 20 a 25 dias após a germinação. O segundo, corresponde à fase de polinização e a granação compreendida entre 50 a 60 dias após a germinação. Na fase de florescimento a temperatura média diária deve ser superior a 18ºC.

Parâmetros climáticos adotados

A carta de zoneamento climático preparada para este trabalho se refere ao sorgo granífero, pelo fato de produzir grãos é mais exigente que o sorgo forrageiro. Em zoneamento climático preparado por Camargo (1969a) para a região do Vale do Rio Doce, a cultura do sorgo granífero foi incluída entre as culturas de clima semi-úmido, ou tropical monçônico, temperatura média anual superior a 17,5ºC, ou evapotranspiração potencial acima de 800mm anuais, e com deficiência hídrica segundo Thornthwaite superior a 40mm.

Para as condições do Estado de São Paulo, considerando a possibilidade de se fazerem culturas, das águas e da seca, e a adoção de medidas preventivas contra o ataque da mosca, foram adotados os seguintes parâmetros para caracterizar as diferentes faixas de aptidão climática:

a) Temperatura média anual (Ta) = 18ºC: corresponde ao limite inferior da faixa considerada termicamente apta à cultura comercial; nessas condições as temperaturas médias mensais do período vegetativo, outubro a março, apresentam-se com 2 a 3ºC a mais que média anual, e portanto em condições térmicas satisfatórias para a cultura;

b) deficiência hídrica anual (Da) = 20mm: indica o limite acima do qual a faixa apresenta estação seca acentuada, com aptidão climática para a cultura das águas e condições marginais para a da seca por deficiência hídrica;

c) Da = 0mm indica o limite abaixo do qual a faixa não apresenta estação seca apreciável e se mostra marginal à cultura comercial do sorgo por esta mais sujeita a problemas fitossanitários; entre os limites de 0 a 20mm a faixa apresenta estação seca moderada e oferece normalmente aptidão climática para duas culturas, das águas e da seca;

d) excedente hídrico anual (Ea) = 500mm representa o limite acima do qual os excedentes hídricos muito elevados indicam clima excessivamente úmido, mostrando-se marginal a inapto para a cultura comercial do sorgo.

Cartografia – faixas de aptidão climática

São as seguintes as faixas de aptidão climática adotada:

Faixa "A" – Temperatura média anual (Ta) superior a 18ºC e Deficiência hídrica anual (Da), acima de 20mm. A faixa indica aptidão climática, térmica e hídrica, para a cultura da seca, por restrição hídrica. Compreende toda a metade norte do Planalto e o Vale do Paraíba.

Faixa "B" – Ta superior a 18ºC e Da, entre 0 e 20mm. A faixa apresenta aptidão climática térmica e hídrica.

Faixa "C" – Ta acima de 18ºC Da nulo e excedente hídrico anual Ea, inferior a 500mm. A faixa se mostra marginal, climaticamente, por umidade muito elevada, sujeita a problemas fitossanitários. Situa-se no extremo sul do Planalto, próximo à Serra do Mar e no Centro do Vale do Ribeira do Iguape.

Faixa "D" – Ta superior a 18ºC, Da nulo e Ea acima de 500mm. A área é inapta à cultura do sorgo por umidade excessiva. Compreende as regiões litorâneas, quentes e úmidas.

Faixa "E" – Ta – inferior a 18ºC. Apresenta-se marginal a inapta por insuficiência térmica. Compreende as áreas serranas, mais frias do Estado.